| RTP: Direcção Informação vai queixar-se de Cintra Torres à ERC |
| 24-Ago-2006 | |
A direcção de Informação da RTP vai fazer queixa à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) por causa de um artigo de Eduardo Cintra Torres publicado no jornal Público, disse à Lusa fonte oficial da direcção da estação pública.
Fonte oficial da ERC, contactada pela agência Lusa antes de conhecida a decisão da direcção de Informação da RTP, disse que o regulador está «atento» ao caso. A direcção de Informação da estação pública, liderada por Luís Marinho, divulgou segunda-feira que vai processar judicialmente Cintra Torres na sequência de um artigo de opinião publicado domingo no jornal Público, no qual o crítico acusa a RTP de ceder a alegadas pressões do Governo na cobertura dos incêndios. «A Entidade Reguladora está atenta ao caso e a seguir os factos», afirmou à Lusa fonte do órgão, acrescentando que, até ao momento, não entrou nenhuma participação ou pedido de intervenção da ERC sobre este caso. A mesma fonte admitiu que a situação poderá ser abordada na próxima reunião do Conselho Regulador da ERC, agendada para quinta-feira. Em declarações ao Diário de Notícias, o presidente da ERC, José Azeredo Lopes, admitiu terça-feira que «a acusação [de Cintra Torres] é gravíssima». Apesar de não avançar com mais detalhes, o presidente da ERC acrescentou apenas que a situação levanta duas questões: «A independência informativa da RTP» e a crónica em que Torres «não utiliza elementos mais concretos do que o ouviu dizer». Em reacção à decisão da direcção de Informação da RTP de avançar com um processo judicial, Eduardo Cintra Torres afirmou terça-feira à Lusa que o tribunal é um bom local para apurar a verdade. «O meu texto baseou-se exclusivamente em factos que resultam do tratamento estatístico e análise de texto e imagem e testemunhos pessoais», explicou Cintra Torres, adiantando que «o tribunal é um bom local para apurar a verdade e a legitimidade da liberdade de opinião». No texto de opinião publicado domingo, «trabalhei em três vertentes: como investigador, analisando dados; jornalista, consultando fontes que merecem o máximo de crédito e protecção da identidade; e comentador», disse. No artigo, publicado a 20 de Agosto, Cintra Torres contabiliza o número de notícias e o tempo de duração da informação sobre incêndios divulgada pelos três canais generalistas no dia 12 de Agosto e conclui que a RTP «não cumpriu as suas próprias orientações», por não ter feito qualquer directo e ter dedicado ao tema apenas 3,8% do tempo do Telejornal. O crítico acusa que «o governo está a recorrer a métodos ilegítimos para impedir a informação livre aos cidadãos de Portugal sobre os incêndios, quer no terreno, quer nas instruções que dá à RTP». «A Direcção de Informação da RTP está, na prática informativa, a vergar-se por completo ao interesse político do governo do momento», afirma, defendendo que a Direcção de Informação «deve ser irradiada da RTP o mais depressa possível». Em comunicado divulgado segunda-feira, a equipa liderada por Luís Marinho afirmou que Cintra Torres terá de provar em sede judicial «as afirmações caluniosas que tem proferido, que são o contrário do livre debate de ideias que se deseja e saúda». |
| < Artigo anterior | Artigo seguinte > |
|---|